Definitivo do Comportamento Médico nas Redes Sociais

Conciliar o papel de mãe e médica: missão impossível?

Conciliar o papel de mãe e médica: missão impossível?

A mulher venceu preconceitos e assumiu o controle da sua vida. Historicamente, é uma luta que ainda não chegou ao fim, mas que a cada dia, uma nova batalha é conquistada. Na área da Saúde não foi diferente. Os cuidados maternos ultrapassaram os limites de família e as mulheres garantiram seu lugar (que é de direito) como médicas, dentistas, psicólogas e fisioterapeutas renomadas e respeitadas. Mas, para muitas delas, junto do sucesso profissional também há a realização pessoal de se tornar mãe — é aí que o que parecia complicado torna-se ainda mais difícil. Além das tarefas diárias referentes ao trabalho, há também as atividades maternas que nunca terminam.

E aí fica a dúvida: é possível conciliar o papel materno com o exercício da medicina? Nós conversamos com algumas “médicas-mães” que nos contaram um pouco de sua rotina pessoal e profissional.

O que a mãe médica fala

É possível, sim, cumprir o papel de médica e mãe. O segredo para isso é justamente saber conciliar. Dessa forma, adaptar a agenda profissional com o compromisso dos filhos nas escola, em festas ou outras atividades, por exemplo, é essencial, além de contar com o apoio do companheiro na divisão de tarefas domésticas nos casos de relacionamento estabelecido.

Com plantões constantes fica um pouco mais difícil, mas não impossível. Em situações como essas, uma boa dica é aproveitar os momentos juntos com qualidade. Seja durante a noite ou nos finais de semana, programe atividades para esse período e faça-o vale a pena.

Se perceber que, mesmo com esforço, não está dando conta de conciliar as duas coisas, uma boa reflexão é importante. Abrir mão de um dia de trabalho na semana, diminuir as horas ou os plantões pode trazer resultados bastante positivos.

E não é só para as médicas que a rotina dobrada faz a diferença. Secretárias que atuam nos consultórios e clínicas médicas também contaram um pouco da sua experiência.

Ser mãe sempre foi um sonho pra mim, e eu nunca pensei em deixar de trabalhar por causa do meu filho. Trabalhei até o último dia de gestação e fui muito bem. Quando meu filho nasceu, fiquei 5 meses fora e, depois de completar a licença, eu voltei e ele foi pra creche. Foi o dia mais difícil pra mim, pois teria que deixá-lo e ir trabalhar. Eu contei os minutos para vê-lo novamente, coisas de mãe (risos).

Depois disso fomos muito bem, continuo trabalhando e, quando tenho uma folga, tento tirar um tempinho pra mim. Nem sempre é possível, mas o meu marido me ajuda bastante com o trabalho de casa e com o bebê também.

Patrícia Meinhart Jeffman, Secretária em Centro de Saúde

Há relatos de todas as partes de mães médicas que passam por experiências semelhantes, como é o caso da blogueira portuguesa que escreve sob o pseudônimo de Mamã Bio:

A minha profissão dificulta-me bastante o papel de mãe. Não é tanto pelo tempo, porque felizmente a Medicina Geral e Familiar não me obrigam a trabalhar fins de semana, e em comparação com colegas de outras especialidades, não posso queixar-me nesse âmbito. Mas claro que o trabalho médico não acaba quando saio do Centro de Saúde, e muitas vezes chego a casa não só com o L. e o A. à espera, mas junto a eles uma pequena pilha de coisas a ler, a estudar, a organizar. Mas como disse, nem é tanto por aí…

O pior parece-me ser saber demais. Imagino que todas as mães se preocupem à mínima coisa. Mas saber tudo o que cada sintoma pode ser e virem logo à cabeça as coisas mais raras [e graves] é terrível. Durante o dia de trabalho, sou aquela pessoa que acede aos conhecimentos médicos de forma racional, e acalma os corações assustados das mães em relação a preocupações com os seus rebentos. Depois disso, visto o papel de mãe estressada, e parece que se vai todo o meu discernimento. Tenho para mim que não devo tomar decisões acerca da saúde do L. A médica dele aconselha, medica, e eu cá estou apenas para calcular a dose adequada de antipiréticos e pouco mais. Sinto-me mais confortável assim.

Por outro lado, sinto-me muito mais capaz de aconselhar as recém mamães sobre a sua saúde e a dos seus pequenos, porque apesar de ter tirado um curso para isso, há várias temáticas (a meu ver essenciais) muito pouco abordadas durante o curso (alimentação, amamentação, higiene, etc). Assim sou, sem dúvida, uma médica mais capaz por ser mãe. Se sou uma mãe mais capaz por ser médica, é que já tenho grandes reservas.

— Do blog Mamã Bio

O essencial para a dermatologista Luciana Lócio, mãe de dois filhos, é aproveitar os momentos juntos. Algumas fases difíceis chegaram a colocar em prova os dois ofícios:

Quando minha filha era menor, ficou doente e eu tive que passar um mês sem atender. Aí você pensa que tinha que se dedicar mais, mas também percebe que a criança tem que ter o espaço dela. Eu sou apaixonada pelo que faço, faz parte de mim ser médica. Seria muito infeliz se não pudesse ser médica e mãe.

— Luciana Lócio, Dermatologista

Quando a psiquiatra Kátia Petribu deu à luz a seu primeiro filho, a vida profissional já estava bem consolidada, o que facilitou a tarefa da maternidade.

Foi em um momento muito certo na minha vida, pois eu já estava com a vida profissional muito estável.

— Kátia Petribu, Psiquiatra

Mesmo com a maternidade tardia, a profissão ainda toma muito tempo da vida da médica.

É muito complicado porque a gente tem muitas atribuições. Um médico não termina suas atribuições à noite ou no fim de semana. A questão mesmo é a qualidade do tempo que a gente pode dar. E eu acredito que isso eu dou.

— Kátia Petribu, Psiquiatra

E para não perder as atividades profissionais, Kátia também dava um jeito:

Levava ele com minha mãe para congressos e atividades. Era uma forma de ir e de ele não ficar muito tempo longe de mim. É ver a importância dessa parceria de saber que você está com ele o tempo todo.

— Kátia Petribu, Psiquiatra

Você concorda com os depoimentos das profissionais da Saúde? Em qualquer profissão, você acredita que esses impasses ocorrem com frequência? Conte-nos sua experiência e compartilhe com as mães dedicadas que você conhece!


Fontes:

clinicanasnuvens.com.br
mamabioblog.wordpress.com
blogs.ne10.uol.com.br


Also published on Medium.

Comentários

comentários

Share

Comments

  1. […] Guia Infantil, Meirelles Teixeira, Portal AN, Delas […]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Powered by themekiller.com anime4online.com animextoon.com apk4phone.com tengag.com moviekillers.com